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sexta-feira, 10 de abril de 2015

O SEGREDO DO CONTENTAMENTO - AULA 2 - "A Necessidade de Contentamento Cristão"



INTRODUÇÃO





Liev Tolstói foi um grande escritor russo, autor de grandes obras como Anna Karenina e Guerra e Paz. Era um escritor cristão e os temas relativos à vida cristã estão sempre presentes em suas obras. Em uma delas, “De Quanta terra Precisa o Homem?”, Tolstói conta a história de um fazendeiro de sucesso que não estava satisfeito com o que tinha. Ele queria mais de tudo.

Certo dia o fazendeiro recebeu uma oferta. Poderia comprar, por mil rublos, toda a terra que conseguisse percorrer a pé em um dia. A única condição do acordo era que ele tinha que estar de volta em seu ponto de partida antes do sol se pôr.

Bem cedo no dia seguinte, começou sua caminhada em ritmo acelerado. Ao meio dia, estava muito cansado, mas continuou andando, indo cada vez mais longe. Horas depois, percebeu que sua ganância o tinha levado para bem longe do ponto de partida.

Ele apressou o passo e quando o sol começou a baixar e começou a correr, sabendo que se não estivesse de volta até o por do sol, perderia a oportunidade de se tornar um proprietário de terras ainda maior.

Quando o sol começou a se por, avistou a linha de chegada. Ofegante e com o coração acelerado, ele buscou toda a força que lhe restava e cruzou cambaleante a linha de chegada poucos segundos antes de o sol desaparecer. Naquele instante ele caiu e sangue começou a escorrer de sua boca. Em poucos minutos, estava morto. Seus servos vieram e cavaram um túmulo de aproximadamente sete palmos de terra. Ironicamente, esta foi a resposta à pergunta do título do livro...

O mundo se preocupa com o contentamento




Filósofos e escritores ao longo da história se preocuparam com a questão do contentamento. Confira:
Esopo, o grande contador de fábulas: “Contente-se com o que tem; ninguém pode ter tudo.”
Lin Yu-t’ang, filósofo e poeta chinês: “O segredo do contentamento está em saber gozar as coisas que possuímos e perder o desejo pelas coisas que estão além do nosso alcance”.
Benjamin Franklin: “Contentamento enriquece homens pobres; descontentamento empobrece homens ricos”.
Luiza Gosuen, pensadora contemporânea: “Alegria não é semblante com sorriso. É contentamento no corpo e na alma”.
Ainda que muitos exaltem as virtudes do contentamento, as razões mundanas para sua busca não necessariamente são bíblicas.
       Há pelo menos sete razões pelas quais os cristãos precisam buscar o contentamento.

1)     Deus ordenou



       “Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm (...)”. Hb 13:5a
       “Alegem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se.” Fp 4:4
Estes textos mostram que a principal razão para buscarmos o contentamento é que Deus ordenou que o fizéssemos!
E a alegria, inseparável companheira do contentamento, é fruto da confiança de que Deus está no controle.
Como cristãos, somos um povo que busca obedecer a Deus. É assim que nós O glorificamos. É assim que nós O desfrutamos.
        Se Deus ordenou que vivêssemos contentes, é para o nosso bem e para a Sua glória.

2)     O contentamento é um tesouro de valor inestimável

 
       “Que grande fonte de lucro é a piedade com contentamento” I Tm 6:6
No contexto, Paulo está contrastando as riquezas terrenas com a busca por contentamento. Em particular, ele dirige nossa atenção para o que é realmente importante. Nesta vida, não importa o quanto temos. Não trouxemos nada a este mundo e dele nada levaremos.
       “Pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar.” I Tm 6:7
É a eternidade que importa!
Tesouros externos podem produzir uma beleza que é terrena, mas essa beleza é temporal e passageira. A joia de um coração contente, ainda que possa ser vista nesta vida, é preciosa aos olhos de Deus e dura eternamente.
        Você gostaria de se enfeitar com bens e riquezas que sobrepujam as riquezas terrenas e que duram por toda a eternidade?
        Então busque contentamento!

3 )    Ter um espírito murmurador é um grande pecado




               “Fazei tudo sem murmurações nem contendas.” Fp 2:14

A linguagem que Paulo usa para exortar os filipenses faz lembrar a murmuração dos israelitas no deserto. As narrativas em Nm 10 e 11 nos dá uma pista da natureza do descontentamento e da resposta de Deus a esse pecado.

 O capítulo 10 nos traz um belo retrato da provisão, da proteção e da presença de Deus para com Seu povo, principalmente nos vs. 35 e36, onde vemos as palavras ditas por Moisés toda vez que a arca da Aliança era transportada.

             No capítulo 11, porém, vemos um contraste marcante: “queixou-se o povo de sua sorte aos ouvidos do Senhor.” Nm 11:1

 Todo este capítulo nos mostra o que o descontentamento acarreta e porque ele é tão grave.

Primeiro, murmurar implica esquecer-se da presença de Deus e de suas bênçãos.

Segundo, o descontentamento geralmente nos leva a lembrar de fatos do passado de forma exageradamente positiva. Um incidente inicial de murmuração é quase imediatamente seguido por outro:

Em Nm 11:4-6, o povo queixa-se da falte de carne para comer, reclamando do maná, a provisão cuidadosa e miraculosa de Deus, e começa a lembrar-se com saudade das comidas que tinham no Egito. Eles rapidamente se esquecem que eram escravos e viviam sendo hostilizados pelos egípcios.

Terceiro, a murmuração está ligada à nossa incredulidade, pois questiona não apenas a providência, mas também a provisão de Deus.

Quando murmuramos, não cremos que Deus está no controle e questionamos Sua capacidade  de cumprir suas promessas.

No fundo, isso é falta de fé!

4)     Descontentamento é a origem de muitos dos nossos pecados



O descontentamento está claramente ligado à cobiça.
Um espírito cobiçoso é um espírito descontente, pois deseja o que Deus não deu. E, além disso, desejos imoderados somados ao descontentamento nos levam a vários outros pecados, conforme Tiago nos diz:
“Ao contrário, cada um é tentado por sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, da à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.” Ti 1:14,15
Disputas, contendas, e até assassinatos têm origem nas paixões e nos desejos que guerreiam dentro de nós.
É vital, então, que treinemos o nosso coração e aprendamos a estar contentes com o que Deus nos dá.
Quando Deus nos faz novas criaturas em Cristo, Ele nos dá um desejo por Ele mesmo. Ansiamos por Ele como a corça anseia pelas águas (Sl 42:1).

 

5)     Um espírito contente demonstra nossa humilde submissão à vontade de Deus



Um espírito contente demonstra nossa submissão ao controle soberano de Deus sobre nossa vida.
Um espírito descontente diz: “Estou no controle e terei o que quero.”
Durante sua prisão em Roma, Paulo foi capaz de reconhecer (e de se alegrar!) o controle soberano de Deus sobre sua situação. Em vez de impedir o progresso do evangelho, na verdade, sua prisão contribuiu para o seu avanço (Fp 1:12).
O evangelho se tornou conhecido entre toda a guarda imperial (1:13), e outros foram encorajados por suas cadeias a pregar Cristo (1:14).


6)     Sem contentamento, não podemos experimentar a paz de Deus



O descontentamento gera tumulto na alma.
O contentamento gera um espírito sereno e tranquilo.
Filipenses, a mesma carta que nos ordena a nos alegrar e que apresenta Paulo como o modelo de contentamento, também fala sobre “a paz que excede todo entendimento” (Fp 4:7). A busca por contentamento é, em essência, a busca dessa paz.


7)     Um espírito contente é um espírito que adora



Com contentamento rendemos a Deus a adoração que lhe é devida.
Adoração envolve encontrar nosso deleite em Deus e isso só acontece quando nos agradamos do Seu controle soberano sobre nossa vida.
Quando estamos inquietos, agitados, ansiosos, não podemos nos deleitar verdadeiramente na presença de Deus.
E se este último ponto for verdade, há um grande perigo para quem tem um coração murmurador e descontente.

Implicação



1)     Porque um espírito descontente é tão ofensivo a Deus?
2)     Você acha difícil aceitar a verdade de que Deus está no controle e ordena todas as coisas? Por quê?  
3)     Como abraçar esta verdade nos ajuda a ter um espírito contente? 

Aplicações




Use a tabela abaixo e anote em qual área de sua vida você tem sido descontente e murmurador.
Ao lado, faça uma lista com algumas maneiras específicas de como este
descontentamento o leva a outros pecados.
Finalize com um lembrete das grandes bênçãos que Deus já fez por você e como aceitar esta circunstância agora poderia transformar seu estado de descontentamento em “paz que excede todo entendimento”.

 




Em que área tenho sido murmurador e descontente?
Quais pecados estão relacionados a este descontentamento?
Deus tem me abençoado de diversas formas:
Se eu entender esta circunstância como providência de Deus, o que muda em mim?