INTRODUÇÃO
Liev Tolstói foi um grande escritor russo, autor de
grandes obras como Anna Karenina e Guerra e Paz. Era um escritor cristão e
os temas relativos à vida cristã estão sempre presentes em suas obras. Em uma
delas, “De Quanta terra Precisa o
Homem?”, Tolstói conta a história de um fazendeiro de sucesso que não
estava satisfeito com o que tinha. Ele queria mais de tudo.
Certo dia o fazendeiro recebeu uma oferta. Poderia
comprar, por mil rublos, toda a terra que conseguisse percorrer a pé em um dia.
A única condição do acordo era que ele tinha que estar de volta em seu ponto de
partida antes do sol se pôr.
Bem cedo no dia seguinte, começou sua caminhada em
ritmo acelerado. Ao meio dia, estava muito cansado, mas continuou andando, indo
cada vez mais longe. Horas depois, percebeu que sua ganância o tinha levado
para bem longe do ponto de partida.
Ele apressou o passo e quando o sol começou a baixar e
começou a correr, sabendo que se não estivesse de volta até o por do sol,
perderia a oportunidade de se tornar um proprietário de terras ainda maior.
Quando o sol começou a se por, avistou a linha de
chegada. Ofegante e com o coração acelerado, ele buscou toda a força que lhe
restava e cruzou cambaleante a linha de chegada poucos segundos antes de o sol
desaparecer. Naquele instante ele caiu e sangue começou a escorrer de sua boca.
Em poucos minutos, estava morto. Seus servos vieram e cavaram um túmulo de
aproximadamente sete palmos de terra. Ironicamente, esta foi a resposta à
pergunta do título do livro...
O mundo se preocupa com o contentamento
Filósofos e escritores ao longo da história se
preocuparam com a questão do contentamento. Confira:
Esopo, o grande contador de fábulas: “Contente-se com o que tem; ninguém pode ter
tudo.”
Lin Yu-t’ang, filósofo e poeta chinês: “O segredo do contentamento está em saber
gozar as coisas que possuímos e
perder o desejo pelas coisas que estão além do nosso alcance”.
Benjamin Franklin: “Contentamento
enriquece homens pobres; descontentamento empobrece homens ricos”.
Luiza Gosuen, pensadora contemporânea: “Alegria não é semblante com sorriso. É contentamento
no corpo e na alma”.
Ainda que muitos exaltem as virtudes do contentamento,
as razões mundanas para sua busca não necessariamente são bíblicas.
Há pelo menos sete razões pelas quais os cristãos
precisam buscar o contentamento.
1) Deus ordenou
“Conservem-se livres do amor
ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm (...)”. Hb 13:5a
“Alegem-se sempre no Senhor. Novamente direi:
alegrem-se.” Fp 4:4
Estes textos mostram que a
principal razão para buscarmos o contentamento é que Deus ordenou que o
fizéssemos!
E a
alegria, inseparável companheira do contentamento, é fruto da confiança de que
Deus está no controle.
Como cristãos, somos um povo que busca obedecer a Deus. É assim que nós
O glorificamos. É assim que nós O desfrutamos.
Se Deus ordenou que vivêssemos contentes, é para o nosso bem e para a
Sua glória.
2) O contentamento é um tesouro de valor inestimável
“Que grande fonte de lucro é a
piedade com contentamento” I Tm 6:6
No
contexto, Paulo está contrastando as riquezas terrenas com a busca por
contentamento. Em particular, ele dirige nossa atenção para o que é realmente
importante. Nesta vida, não importa o quanto temos. Não trouxemos nada a este
mundo e dele nada levaremos.
“Pois nada trouxemos para este
mundo e dele nada podemos levar.” I Tm 6:7
É a
eternidade que importa!
Tesouros
externos podem produzir uma beleza que é terrena, mas essa beleza é temporal e
passageira. A joia de um coração contente, ainda que possa ser vista nesta
vida, é preciosa aos olhos de Deus e dura eternamente.
Você
gostaria de se enfeitar com bens e riquezas que sobrepujam as riquezas terrenas
e que duram por toda a eternidade?
Então
busque contentamento!
3 ) Ter um espírito murmurador é um grande pecado
“Fazei tudo sem murmurações nem contendas.” Fp
2:14
A linguagem que Paulo usa para exortar os filipenses faz lembrar a
murmuração dos israelitas no deserto. As narrativas em Nm 10 e 11 nos dá uma
pista da natureza do descontentamento e da resposta de Deus a esse pecado.
O capítulo 10
nos traz um belo retrato da provisão, da proteção e da presença de Deus para
com Seu povo, principalmente nos vs. 35 e36, onde vemos as palavras ditas por
Moisés toda vez que a arca da Aliança era transportada.
No
capítulo 11, porém, vemos um contraste marcante: “queixou-se o povo de sua sorte aos ouvidos do Senhor.” Nm 11:1
Todo este capítulo nos mostra o que o descontentamento acarreta e
porque ele é tão grave.
Primeiro, murmurar implica esquecer-se da presença de Deus e de suas
bênçãos.
Segundo, o descontentamento geralmente nos leva a lembrar de fatos do
passado de forma exageradamente positiva. Um incidente inicial de murmuração é
quase imediatamente seguido por outro:
Em Nm 11:4-6, o povo queixa-se da falte de carne para comer, reclamando
do maná, a provisão cuidadosa e miraculosa de Deus, e começa a lembrar-se com
saudade das comidas que tinham no Egito. Eles rapidamente se esquecem que eram
escravos e viviam sendo hostilizados pelos egípcios.
Terceiro, a
murmuração está ligada à nossa incredulidade, pois questiona não apenas a
providência, mas também a provisão de Deus.
Quando murmuramos, não cremos que Deus está no controle e questionamos
Sua capacidade de cumprir suas
promessas.
No fundo, isso é falta de fé!
4) Descontentamento é a origem de muitos dos nossos pecados
O descontentamento está claramente ligado à cobiça.
Um espírito cobiçoso é um espírito descontente, pois
deseja o que Deus não deu. E, além disso, desejos imoderados somados ao
descontentamento nos levam a vários outros pecados, conforme Tiago nos diz:
“Ao
contrário, cada um é tentado por sua própria cobiça, quando esta o atrai e
seduz. Então, a cobiça, depois de
haver concebido, da à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a
morte.” Ti 1:14,15
Disputas, contendas, e até assassinatos têm origem nas
paixões e nos desejos que guerreiam dentro de nós.
É vital, então, que treinemos o nosso coração e
aprendamos a estar contentes com o que Deus nos dá.
Quando Deus nos faz novas criaturas em Cristo, Ele nos
dá um desejo por Ele mesmo. Ansiamos por Ele como a corça anseia pelas águas
(Sl 42:1).
5) Um espírito contente demonstra nossa humilde submissão à vontade de Deus
Um
espírito contente demonstra nossa submissão ao controle soberano de Deus sobre
nossa vida.
Um
espírito descontente diz: “Estou no controle e terei o que quero.”
Durante sua prisão em Roma, Paulo foi capaz de
reconhecer (e de se alegrar!) o controle soberano de Deus sobre sua situação.
Em vez de impedir o progresso do evangelho, na verdade, sua prisão contribuiu
para o seu avanço (Fp 1:12).
O
evangelho se tornou conhecido entre toda a guarda imperial (1:13), e outros
foram encorajados por suas cadeias a pregar Cristo (1:14).
6) Sem contentamento, não podemos experimentar a paz de Deus
O descontentamento gera tumulto na alma.
O contentamento gera um espírito sereno e tranquilo.
Filipenses, a mesma carta que nos ordena a nos alegrar
e que apresenta Paulo como o modelo de contentamento, também fala sobre “a paz
que excede todo entendimento” (Fp 4:7). A busca por contentamento é, em
essência, a busca dessa paz.
7) Um espírito contente é um espírito que adora
Com
contentamento rendemos a Deus a adoração que lhe é devida.
Adoração
envolve encontrar nosso deleite em Deus e isso só acontece quando nos agradamos
do Seu controle soberano sobre nossa vida.
Quando
estamos inquietos, agitados, ansiosos, não podemos nos deleitar verdadeiramente
na presença de Deus.
E
se este último ponto for verdade, há um grande perigo para quem tem um coração
murmurador e descontente.
Implicação
1)
Porque
um espírito descontente é tão ofensivo a Deus?
2)
Você
acha difícil aceitar a verdade de que Deus está no controle e ordena todas as
coisas? Por quê?
3)
Como
abraçar esta verdade nos ajuda a ter um espírito contente?
Aplicações
Use a tabela abaixo e anote em qual área de sua vida
você tem sido descontente e murmurador.
Ao lado, faça uma lista com algumas maneiras
específicas de como este
descontentamento
o leva a outros pecados.
Finalize com um lembrete das grandes bênçãos que Deus
já fez por você e como aceitar esta circunstância agora poderia transformar seu
estado de descontentamento em “paz que excede todo entendimento”.
Em que área tenho sido murmurador e descontente?
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Quais pecados estão relacionados a este descontentamento?
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Deus tem me abençoado de diversas formas:
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Se eu entender esta circunstância como providência de Deus,
o que muda em mim?
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